Projecao servicosMesmo apostando na preservação do cenário atual da economia, os resultados recentes do setor de serviços e as dificuldades de reativar investimentos levaram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a manter uma projeção de queda de 0,8% no volume de receitas do setor ao fim deste ano. Se confirmado, esse resultado levaria o setor de serviços a registrar a quarta queda anual consecutiva no volume de receitas.

O reajuste da projeção da CNC se deu após a divulgação dos dados de março da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, segundo a qual nos três primeiros meses deste ano o setor acumulou retração de 1,5% ante o mesmo período de 2017. Para a entidade, apesar das condições econômicas atuais mais favoráveis do que as dos últimos anos, principalmente quanto ao comportamento dos preços e ao nível da taxa básica de juros, as incertezas no cenário eleitoral parecem contaminar o nível de confiança no setor produtivo, inibindo a retomada consistente dos investimentos e, sobretudo, a reativação do mercado de trabalho, no qual os serviços respondem por cerca de 44% da ocupação formal do setor privado.

Em março, o setor de serviços recuou 0,2% em relação a fevereiro, após registrar estabilidade em fevereiro (0,0%) e queda em janeiro (-1,9%). Em relação a março do ano passado, o volume de serviços diminuiu -0,8%, contra -2,3% em fevereiro e -1,5% em janeiro. A variação negativa foi acompanhada por três das cinco atividades investigadas, com destaque para serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,8%).

Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC, destaca que, embora a queda observada em março seja menor do que aquela registrada nos três primeiros meses do ano passado (-4,7%), o processo de recuperação do setor após crise tem se caracterizado pela lentidão. “Ao contrário de outras atividades nas quais é possível identificar tendências de crescimento, como a indústria e o comércio, os serviços ainda sofrem com o baixo nível de investimentos da economia e até mesmo com a percepção por parte das famílias de que ainda não é possível recuperar o ritmo do consumo de serviços não essenciais, uma vez que a PMS apura a receita dos serviços não financeiros, excluindo atividades de educação e saúde”, afirma Bentes.

Fonte: CNC

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