Pesquisas

Confiança do empresário do comércio desacelera em São Luís

Assessoria de Comunicação

Assessoria de Comunicação

27/04/2026 16h04 - Atualizado
Compartilhe

Pesquisa da Fecomércio-MA aponta que empresários mantêm otimismo com o futuro, apesar da deterioração das condições atuais e do freio nos investimentos.

São Luís, 27 de abril de 2026 – O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), alcançou 109,1 pontos em março, com queda de 1,5% no mês e recuo de 5,1% em relação ao pico de agosto de 2025.

Embora o índice ainda se mantenha acima da linha dos 100 pontos – o que, tecnicamente, mantém o setor em terreno de otimismo –, o indicador mostra perda de ritmo e sinaliza um cenário mais moderado. O setor vive um contraponto: a esperança no futuro ainda é maior do que a realidade que se apresenta no mercado hoje.

O descompasso entre presente e futuro

Os dados revelam uma diferença clara entre a percepção atual e as expectativas dos empresários. O Índice de Condições Atuais, que mede o sentimento sobre o momento presente, está em 83,1 pontos, abaixo da zona de neutralidade. Para 40,2% dos lojistas, a situação atual da economia apresentou forte piora.

Em contrapartida, as expectativas futuras continuam robustas, marcando 143,9 pontos, com destaque para a avaliação das próprias empresas (161,7 pontos). Mais da metade (52,2%) dos empresários acredita em melhora no desempenho das próprias empresas, especialmente entre os pequenos negócios, o que mantém o índice geral em patamar positivo. É uma confiança ancorada na esperança de retomada, e não na solidez do panorama atual.

Freio nos investimentos e estoques elevados

A cautela não é apenas uma percepção, mas se traduz em decisões concretas de gestão. Com o ambiente econômico mais incerto, o empresariado está retraindo gastos. O nível de investimento no setor (89,8 pontos) caiu 6% em apenas um mês, enquanto a intenção de contratar novos funcionários, embora ainda acima da neutralidade (127 pontos), desacelerou 2,8%. Atualmente, 45,1% dos empresários planejam "aumentar pouco" a equipe.

Além disso, o indicador de estoques alcançou 84,3 pontos. Cerca de 25,2% das empresas, especialmente no segmento de bens duráveis, relatam estoques acima do nível ideal, um fenômeno comum quando as vendas não acompanham o ritmo esperado.

Juros elevados e crédito restritivo

Com a taxa básica de juros em 14,75% ao ano e o crédito mais caro, com o rotativo do cartão chegando a cerca de 436% ao ano em fevereiro, o acesso ao crédito fica mais restrito e seu custo mais elevado, inibindo decisões de investimento.

Além do custo do crédito, o endividamento das famílias – 78,8% das famílias de São Luís estão endividadas e 28,8% inadimplentes – diminui o poder de compra. Esse ambiente de restrição, somado à instabilidade geopolítica que pressiona o preço dos combustíveis e, consequentemente, a logística e os preços nas prateleiras, limita a margem de manobra dos empresários.

Desafio para o setor

Para o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, o momento exige uma atuação mais estratégica por parte dos empresários. “Os dados mostram que há uma desaceleração da confiança, influenciada por um ambiente econômico mais restritivo. Nesse contexto, o crescimento tende a ser mais moderado, o que exige cautela, planejamento e maior eficiência na gestão”, avalia.

O ICEC de março confirma a resiliência do comércio, ainda em terreno positivo, mas já em um cenário mais desafiador e de crescimento mais moderado.