Pesquisas

Consumo das famílias de São Luís apresenta estabilidade em fevereiro

Assessoria de Comunicação

Assessoria de Comunicação

17/03/2026 15h03 - Atualizado
Compartilhe

Pesquisa da Fecomércio-MA mostra leve alta da intenção de consumo, mas cenário ainda reflete crédito caro e expansão mais lenta da renda para grande parte das famílias.

São Luís, 17 de março de 2026 – A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), registrou 84,2 pontos em São Luís em fevereiro de 2026, o que representa alta de 1,3% em relação a janeiro. Apesar do avanço mensal, o indicador permanece abaixo da linha de satisfação, que começa nos 100 pontos, sinalizando um cenário de estabilização da confiança do consumidor.

Na prática, isso significa que o consumo das famílias melhorou ligeiramente no início do ano, mas ainda sem força suficiente para indicar uma retomada mais consistente. O índice também reflete a perda de fôlego observada ao longo do segundo semestre de 2025, quando a confiança começou a desacelerar após atingir 90,9 pontos em abril, o melhor resultado desde o período pós-pandemia.

Desde então, o indicador passou por um movimento gradual de acomodação, encerrando 2025 em 84,8 pontos e iniciando 2026 praticamente no mesmo patamar. Esse comportamento sugere que o consumidor segue cauteloso diante de um ambiente econômico que combina crescimento moderado com crédito caro.

Para o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, o resultado exige leitura estratégica por parte do setor produtivo. “Os dados mostram que há sinais positivos nas expectativas para os próximos meses, especialmente em relação ao mercado de trabalho, mas o orçamento das famílias continua pressionado pelo custo do crédito e pela recuperação mais lenta da renda. Isso faz com que as decisões de consumo sejam tomadas com mais prudência”, avalia Maurício Feijó.

Consumo varia entre faixas de renda

A análise por faixa de renda evidencia uma recuperação desigual do consumo. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o índice chegou a 109,4 pontos, dentro da zona de satisfação. Já entre aquelas que recebem até 10 salários mínimos, que representam a maior parte da população, o indicador ficou em 82,3 pontos.

O contraste demonstra que a confiança no consumo é mais elevada entre as famílias de maior renda, enquanto os demais grupos ainda enfrentam limitações no orçamento.

Expectativas futuras sustentam indicador

Os dados mostram que o principal fator de sustentação do índice são as expectativas para os próximos meses. A perspectiva profissional, que mede a confiança no mercado de trabalho para os próximos seis meses, avançou 2,9%, atingindo 127,5 pontos. Já a perspectiva de consumo registrou crescimento de 3,2%, alcançando 95,5 pontos, ainda abaixo da zona de satisfação, mas indicando melhora na percepção das famílias sobre o futuro.

Quando a pergunta é sobre o consumo presente, os indicadores seguem mais fragilizados. O indicador que mede o nível de consumo atual marcou apenas 47,9 pontos, um dos mais baixos do índice. O dado reflete a percepção de que 66,3% das famílias estão consumindo menos do que no mesmo período do ano passado, evidenciando que o orçamento doméstico ainda impõe limites às decisões de compra.

Crédito caro limita compras de maior valor

O crédito também continua sendo um fator decisivo para explicar o comportamento do consumidor. O subindicador que mede acesso a empréstimos e compras a prazo ficou em 86,3 pontos, com 33,9% das famílias relatando maior dificuldade para obter crédito. O resultado é compatível com o ambiente de juros elevados no país, que encarece financiamentos e reduz a disposição para assumir novas dívidas.

Esse efeito aparece de forma ainda mais clara quando se trata da compra de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis ou veículos. Mesmo com alta de 5,4% no mês, o indicador marcou apenas 26,7 pontos, o menor entre todos os componentes da pesquisa. Entre os entrevistados, 84,3% afirmam que não é um bom momento para esse tipo de compra, sinalizando cautela diante de compromissos financeiros de longo prazo.

O desempenho do índice também reflete o contexto macroeconômico recente. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, mas o consumo das famílias avançou apenas 1,3%, indicando perda de dinamismo da demanda interna. Juros elevados, inflação ainda presente no orçamento e expansão mais lenta da renda ajudam a explicar a postura mais cautelosa do consumidor.

Nesse cenário, o resultado de fevereiro aponta mais para estabilização da confiança do que para uma retomada consistente do consumo. Para o comércio, a recuperação mais consistente da demanda dependerá principalmente da evolução da renda real e da trajetória dos juros ao longo de 2026.